Mêda - Armando Carneiro 
A desertificação e o encerramento da Adega Cooperativa da Mêda são os principais problemas com que se debate o concelho. A Expomêda vai continuar, mas noutros moldes. Para o actual edil o formato do certame terá de ser outro, mais vocacionado para os produtos endógenos. O sector turístico será a aposta do novo executivo.
Quais são os problemas principais com que se debate o concelho?
O nosso concelho tem um problema muito grave que é a desertificação e agora temos também um problema no sector agrícola, por causa da adega cooperativa ter fechado. Os nossos pequenos agricultores agora não têm onde “meter” o vinho. É um problema que nos preocupa porque o grande agricultor tem o seu problema resolvido, acaba por “meter” o vinho nas grandes casas exportadoras, mas os mais pequenos é que estão mal… O que está a acontecer é que alguns produtores optam por vender o “cadastro” (ou seja, as cepas) para a região do Douro e deixam de produzir vinho. A Mêda era uma terra de vinho, que nos orgulhava muito e agora, com excepção de alguns produtores com marcas próprias e vinho muito bom, pouco há….Porque o vinho de Mêda da Adega Cooperativa deixou de existir.
Que projectos pretende implementar para lançar a dinamização económica do município?
Um dos projectos é o combate ao desemprego. Nós desejávamos promover o auto-emprego, mas as pessoas estão muito habituadas ao emprego da função pública. Nós gostávamos de fomentar a iniciativa empresarial na pequena indústria, na agricultura ou nas pequenas transformações. Estamos a tentar mudar esta mentalidade… 
Em termos culturais, o município está bem equipado? Esta área é importante para a autarquia?
Sim, está bem equipado! Temos serviços, Biblioteca, Cinema e um Arquivo novo. Para além de um Centro Cultural com diversas actividades todas as semanas.
O sector turístico é uma aposta deste executivo?
Sim, sem dúvida o futuro do concelho terá de passar por aí… Porque agricultura não há, fábricas não temos, as poucas que existem estão a fechar. Por isso o turismo é um sector muito importante. Pela Rota dos Castelos, por exemplo, temos Marialva, Longroiva e Ranhados, ou também por uma Rota dos Pelourinhos.
E o concelho está bem “apetrechado” para receber turistas?
Acho que estamos mais ou menos. Temos Postos de Turismo para receber os turistas, mas há pouca oferta. Estamos a pensar em criar uns percursos pedonais e de BTT, e outros projectos que estão a ser equacionados nesta área.
A Expomêda é importante para o concelho?
Nos moldes das edições anteriores penso que não, porque a Expomêda quando foi programada centrava-se mais nos nossos produtos e agora o que se via na Feira era marroquinaria, bijutarias, produtos que não mexiam o tecido económico local. Não havia retorno! Estamos a pensar este ano fazer uma Feira mais temática, com os nossos enchidos, a nossa caça, o nosso vinho, entre outros produtos endógenos. Nos mesmos dias, no S. Martinho, que é o nosso feriado municipal, mas noutros moldes.
O que é que a Mêda pode oferecer a quem visita a região que lhe permita distinguir-se?
As Termas de Longroiva, por exemplo, poderão funcionar como um pólo atractivo, mas também a nossa gastronomia ou o Sítio Romano do Vale do Mouro.
O Sítio Romano do Vale do Mouro continua a despoletar bastante interesse, do ponto de vista histórico e arqueológico. De que forma pode ser valorizado?
Tem muito interesse, foram descobertas já muitas moedas, um painel único com a imagem de Baco. E estamos a pensar em criar um Museu de Arqueologia para colocar estas peças e outras, porque o nosso concelho tem outros sítios com interesse arqueológico, como Marialva e Ranhados. E será criado um percurso para tornar aquele núcleo do Vale do Mouro visitável, bem como em Ranhados.
Qual a “prenda” que gostaria de receber para a autarquia?
Gostava de ter mais pessoas no concelho, que as pessoas se fixassem, mas é um desejo quase impossível… e ter uma situação económica mais desafogada na Câmara!