Quais são os grandes problemas do concelho?
Os principais problemas com que se debate o concelho são comuns ao interior, desde logo a desertificação do interior por falta de gente. Embora esteja optimista que com os projectos que temos em vias de concretização, espero que em breve prazo haja uma tendência diferente. E depois também em termos de acessibilidades: dentro em breve o concelho ficará mais bem servido, o IP2 está em construção. Temos também aqui uma ligação que é importante e estou esperançado que se faça no próximo ano, que é a ligação a Espanha junto ao Douro. Por isso também acho que a curto prazo, em termos de acessibilidades, também ficaremos bem. Portanto eu diria que o principal é a falta de pessoas qualificadas…
Que projectos pretende desenvolver para a dinamização económica do Município?
Além do Museu do Côa que já foi inaugurado, o qual veio repor novamente Foz Côa nas páginas dos jornais a nível nacional e internacional, portanto, acho que é um projecto que pode catapultar muito o desenvolvimento do concelho. Basta ver que no primeiro mês após inauguração tivemos mais de 10 mil pessoas, o que dá uma média de cerca de 400 pessoas por dia, o que é significativo. E mesmo nos meses de Setembro e Outubro a média nunca baixou das 100 pessoas por dia.
Portanto está a ir ao encontro das suas expectativas?
Sim, eu estava à espera destes valores, depois vamos fazer uma avaliação no fim do ano, porque é evidente que o mês de Agosto é sempre melhor. Por isso considero que esta é uma infra-estrutura que terá muito peso em relação ao desenvolvimento do concelho. Depois temos outro projecto que também tenho muita esperança que possa trazer dinâmica a esta região e a este concelho, que é o Centro de Estágios de Alta Competição do Remo. A obra será agora adjudicada e trata-se de um investimento de 7 milhões de euros. Tem uma capacidade para 180 camas, muito integrado na zona, pois é feito em socalcos no Pocinho. E portanto é um projecto que nos vai dar também grande visibilidade, porque já hoje nas instalações provisórias no Pocinho da EDP, temos equipas Olímpicas, como a Rússia que tem estado aqui a estagiar dois a três meses por ano. E temos conhecimento que outras equipas de alta competição do remo procuram esta zona e consideram-na a melhor do mundo. Tem o clima ameno, transportes ao lado, tem um espelho de água sem barcos a motor, entre outras condições, que faz com que eles possam desenvolver toda a planificação de treino em sossego. Tem havido uma apetência muito grande, portanto acredito que poderá dinamizar bastante o futuro deste concelho. Depois temos também para pôr a concurso até ao fim do ano, princípio de 2011, o Parque de Exposições e Feiras. Está feita a 1.ª fase, há cerca de 5 anos, e agora fizemos um projecto, que será candidatado aos fundos comunitários. Também é uma infra-estrutura que terá bastante interesse, na medida em que não temos espaços condignos para promover toda esta excelência de produtos que temos, porque eu costumo dizer, que tudo o que é Douro é bom e é de qualidade! E depois há uma série de outros pequenos projectos, como a cobertura pelo sistema de “wireless”, a implementação de uma rede de transportes com ligação ao Pocinho, entre outros. Além disso também pretendemos criar novos apoios aos idosos, nós e mais seis cidades fazemos parte do projecto “Sete Cidades Amigas dos Idosos”. Trata-se de um projecto pioneiro que tem duas vertentes. Numa primeira fase, pretende-se a valorização e requalificação de equipamentos para os idosos, por forma a que se sintam integrados e úteis. E, numa segunda fase, pretende-se que tenham o apoio dos jovens para criar um relacionamento intergeracional, que possa cada um dentro dos valores da solidariedade aprender uns com o outro. É um projecto interessante, apoiado pela Direcção Geral de Saúde e pelo Departamento de Psicologia da Universidade Lusófona. Até ao Natal pensamos inaugurar uma loja com produtos de Foz Côa em Lisboa, que se irá chamar Foz Côa Gourmet, onde queremos expor os produtos de qualidade. Nos vinhos somos o berço dos melhores vinhos do mundo, por isso temos de promover estes e outros produtos para divulgar o concelho.
Há mais projectos previstos para o próximo ano?
Temos também um projecto de regeneração urbana com cerca de 3 milhões de euros de obras aprovados pelo QREN. Penso que com estes investimentos e o Museu vamos ter mais gente e vai haver mais desenvolvimento. Por isso pretendemos criar, dar um ar mais citadino à cidade, ou seja, dar-lhe um visual melhor. Portanto a Avenida Gago Coutinho, a artéria principal, a zona histórica e o parque de lazer vão ser “virados do avesso”. No fundo vamos “alindar” a cidade para que as pessoas que nos visitem levem uma imagem mais positiva desta região, que por si só já é um tesouro. Outro projecto que também pretendemos levar a efeito no próximo ano é criar um evento relacionado com o vinho, que seja a festa das vindimas ou a feira do vinho, de uma forma ou outra, o que queremos é que seja um evento com projecção nacional e internacional. Queremos trazer europeus, numa primeira fase, e fazer colóquios e provas de vinho, entre outras actividades. Porque sendo Foz Côa o berço dos melhores vinhos do mundo, não temos medo de competir com outros vinhos e tendo esta riqueza temos de fazer esse certame aqui.
O sector turístico é portanto uma aposta deste concelho?
O futuro desta região está no Turismo na medida em que tem potencialidades fora do comum. Desde logo Foz Côa é o único concelho com dois patrimónios mundiais. Temos as gravuras rupestres e o Douro Vinhateiro. Depois, em termos de património arqueológico, temos cento e muitas estações referenciadas. Património construído, desde monumentos a Igrejas, entre outros. Temos um património paisagístico como não há muitos, temos uma rede de miradouros em cinco ou seis locais excepcionais com vistas sobre o Douro, passando pela excelência dos produtos e pela hospitalidade das pessoas, acho que Foz Côa tem tudo para que seja uma referência no futuro turístico. As obras do cais fluvial do Pocinho também irão iniciar-se no próximo ano, para que os barcos maiores que se deslocam no Douro possam parar no Pocinho e deslocar-se até à sede do concelho. Portanto o turismo é incontornável em termos de futuro desta região. Ainda em relação ao turismo e ao futuro, há um projecto que está no início, que eu penso que seria a “cereja no topo do bolo” que era o Parque Temático. Vamos avançar com estudos e tentar arranjar uma candidatura. O próprio estudo contempla a possibilidade de arranjar parceiros interessados neste investimento. Acho que seria o complemento ideal para o Museu do Côa. Porque no fundo o tema seria também o Paleolítico, a história do Homem, mas numa vertente mais lúdica. Onde as crianças pudessem ter um espaço para pintar e reviver essa época. Mas estou esperançado que isso venha acontecer...
O que é que falta ao concelho para receber os visitantes?
Falta uma coisa, acho que é a lacuna principal do concelho, que é a questão da hotelaria. De qualquer das formas, penso que daqui a dois ou três anos estaremos melhores. A EDP tem um projecto já aprovado pela Câmara em termos de arquitectura, tem já os pareceres do turismo, e estão agora na fase da elaboração dos projectos da especialidade para a construção de um Hotel com cerca de 50 quartos no Pocinho, junto ao Centro de Alto Rendimento do Remo. Temos também mais um ou dois privados. Há também alguns turismos rurais com alguma qualidade, mas com pouca dimensão. Temos uma albergaria sóbria e razoável, mas queremos mais, num patamar superior. Esta é a maior lacuna neste momento…
Qual a “prenda” que gostaria de receber para a autarquia?
A prenda que eu gostaria de receber era que a crise financeira terminasse e que nos devolvessem pelo menos o que nos estão a tirar e que houvessem mais meios e que nós tivéssemos mais fundos comunitários. Porque o interior, mais concretamente, Foz Côa precisa destes investimentos todos que referi, como o Parque Centro de Alta Competição, o Parque das Exposições e na Regeneração Urbana. Só nestes projectos estamos a falar em 12 milhões de euros. A prenda seria esta: que pudesse efectuar estas obras e que a conjuntura se compusesse.