Quais são os problemas principais com que se debate o concelho?
O maior problema com que se debate o concelho da Guarda é o despovoamento da área rural para a cidade. Este é sem dúvida o nosso combate, tentar fixar pessoas nas freguesias dando-lhes condições de vida para se fixarem. É verdade que as freguesias ainda têm alguma dinâmica, principalmente ao fim-de-semana, porque as pessoas que vivem na Guarda voltam nesses dias às freguesias. Mas a realidade é que as freguesias durante a semana têm pouca gente. E esse é um problema de ordenamento do próprio território que, enfim, há muitos anos devia ter sido feito e não foi… Houve um investimento muito grande no espaço rural em termos de infra-estruturas, nomeadamente nas acessibilidades e infra-estruturas básicas como a água e saneamento, mas isso não chega para fixar as populações. As duas regiões do concelho que têm crescimento em área rural são o Vale do Mondego e o Vale do Zêzere. Todo o resto do concelho está bastante despovoado.
Que projectos pretende implementar para lançar a dinamização económica do Município?
Foram já implementados vários projectos, nomeadamente as freguesias e os espaços rurais foram dotadas com boas infra-estruturas, mais isso não chega… Há pequenos nichos de mercado que têm por base a valorização dos produtos locais que são importantes para a dinamização destes espaços, nomeadamente na região das freguesias da encosta da Serra, na zona nascente do concelho, no Vale do Mondego e no Vale do Zêzere, sendo que no Vale do Mondego e no Vale do Zêzere há projectos mais materializados. As localizações dos novos centros escolares definem, de facto, regiões que estão neste momento em constante potencialidade e que têm actividades para fixarem as pessoas, quer pela oferta de alguma indústria quer pela oferta de serviços e dinâmicas próprias na área do comércio. Embora haja também actividades comerciais em todas essas regiões que pertencem ao concelho. Mas, enfim, aquelas que têm mais potencialidades são aquelas que têm melhores acessibilidades e estão próximas dos grandes eixos/corredores de mobilidade que são a A25 e A23. Mas não há dúvida nenhuma que o esforço que tem de ser feito é na valorização dos produtos genuínos, dos produtos específicos de cada território. É esta a batalha que temos que travar no sentido de implementar medidas e apoios que neste quadro comunitário e no anterior já foram explícitos através do PRODERE, que é um programa especificamente vocacionado para as áreas rurais. Há artesanato específico de cada região e convém reforçar esse investimento que tem de ser feito na valorização dos produtos locais.
O sector turístico é uma aposta deste executivo? O turismo de ambiente pode ser um dos caminhos…
Sim é, já é também uma vertente da valorização dos espaços rurais. Agarrando as questões ligadas ao património, principalmente nas regiões mais despovoadas como é a zona do Jarmelo. Valorizando o património histórico que tem, nomeadamente, com a rede da qual faz parte também o Castro do Jarmelo, o Castro da Póvoa do Mileu e o Castro do Tintinolho. Se a esta rede configurarmos uma rede dos percursos pedonais, dos percursos da água, pode e está a ser consumado um conjunto de percursos que valorizam o território, porque são percursos virados para o ambiente. Também o turismo em espaço rural, nomeadamente aproveitando os dois cursos de água mais importantes, como é o Zêzere e o Mondego.
A mudança do posto de turismo faz parte dessa aposta?
A mudança do posto de turismo faz parte de uma estratégica turística para a cidade. Porque o ponto de chegada dos turistas é a cidade devido ao património arquitectónico, ao património construído, ao património edificado e ao património monumental que a Guarda tem, bem como a qualidade do centro histórico. E o posto de turismo é também um centro de acolhimento dos turistas, onde têm o primeiro contacto e está colocado num espaço que é um “ex-libris” da Guarda, que é a Praça Velha. Acho, portanto, que vai valorizar e potenciar também os diversos circuitos que estão criados, bem como a divulgação do património de todo o concelho, que está também disponível para os turistas na Torre de Menagem, no Centro de Recepção aos visitantes, onde além de poderem ter uma visão global, a 360º graus, do que é o concelho ao património que cada freguesia possui e em que está referenciada e explanada a importância do próprio património local.
O Centro de Recepção e reabertura da Torre de Menagem como estão a funcionar?
Os dados que temos tido de todos aqueles que se dirigem ao Centro de Recepção é de que é bastante interessante. É um espaço agradável. Foi sempre uma zona bastante procurada pelos turistas e agora tem oferta de outros serviços. E até se criou uma maior mobilidade à volta da Torre de Menagem.
O que é que a Guarda pode oferecer a quem visita a região, que lhe permita distinguir-se?
O que a Guarda tem, têm também quase todos os concelhos do distrito e da Beira. Agora o que é importante é a especificidade de cada terra porque estamos a rebater os produtos locais, as especificidades próprias de cada localidade em termos de artesanato que ainda produzem, mas também da qualidade dos produtos que a terra dá, desde do queijo da Serra até à componente micológica ou ao cabrito. Eu acho que faltam restaurantes de referência em freguesias, em espaços perfeitamente definidos, como a zona da Serra, a zona do Jarmelo, o Vale do Mondego… O vale do Zêzere está muito bem servido no que concerne às questões gastronómicas, porque hoje há efectivamente um turismo vocacionado para a gastronomia, como há um turismo vocacionado para o vinho. A nossa região não tem um vinho de referência, mas temos os vinhos da Beira Interior que ano após ano têm melhorado no que concerne à qualidade dos mesmos.
Qual a “prenda” que gostaria de receber para o município?
Eu acho que a prenda que gostaria de receber para a Guarda era, de facto, uma unidade que contribuísse para a afirmação desta cidade como a “cidade da Saúde” – com a construção do Hospital. E a construção de unidades viradas para o Bioclimatismo, para o Turismo de Saúde; esta seria a melhor prenda para a Guarda, para a Região e para as pessoas que escolheram o concelho para viver e o contributo para o que será o concelho é também o contributo de todos nós. Mas o Turismo do Património, com o Turismo da Saúde, com o Turismo Gastronómico, acho que eram actividades que viriam valorizar e potenciar a economia local.