Fonte: Guarda Digital 
Seia - Carlos Filipe Camelo 
O desemprego é o principal problema do concelho de Seia. Para o edil de Seia, a autarquia não precisa que lhe saia um grande prémio no Euromilhões, basta que o plano de reequilíbrio financeiro seja aprovado pelas várias entidades. Segundo o autarca, Turismo não é a “galinha dos ovos de ouro”, mas pode ser a “chave” para alguns problemas…
Quais são os problemas principais com que se debate o concelho?
O problema com que nos debatemos, e é de resto comum ao interior do país, é o problema da falta de emprego. Por isso, entre as nossas prioridades, nós colocámos como prioridade das prioridades, o problema do emprego. É evidente que nesta circunstância nós só podemos responder a outros problemas passando, logicamente, por conseguir junto das entidades públicas e privadas, a disponibilidade para que os investimentos possam acontecer no seio do país, que é uma forma de multiplicar emprego, multiplicar a criação de riqueza e possibilitar que outros problemas possam, eventualmente, se não serem ultrapassados, pelo menos serem minimizados. Refiro-me concretamente à questão do despovoamento, que é outro problema com que a gente se defronta e por outro lado, o envelhecimento da própria população. Portanto, nós não conhecemos nenhuma outra solução para este problema de fixar populações, que não seja a criação de emprego. Para isso nós temos socorrido de um conjunto de ideias que estão muito ligadas àquilo que é hoje a economia do conhecimento, a economia da inovação, a economia da criatividade. Porque é sem dúvida uma ideia que tem de ser promovida junto das classes mais jovens. É junto deles que há capacidade de correr riscos e que há a capacidade de poder também catapultar os tais investimentos que nós queremos e desejamos para o nosso concelho. Por isso há outra questão, que também tem tido um impulso significativo, que é a área do empreendedorismo. Neste âmbito, somos parceiros da primeira parceria na área das economias da criatividade. E fazemo-lo com mais cinco municípios: Óbidos, Tondela, Guimarães, Montemor-o-Novo, Montemor-o-Velho e ainda a Fundação Bissaya Barreto. Esta rede estabelece um programa de acção com o objectivo de desenvolver a economia da criatividade dos parceiros assente em três eixos principais: por um lado, a questão da criatividade, por outro lado a questão do empreendedorismo e das indústrias criativas e por fim, a área da educação. O grande benefício será o aparecimento de um conjunto de pequenos ou grandes negócios, que nascerão deste estímulo através também de um conjunto de projectos, que são comuns ou individuais, tidos pelos parceiros que terão um efeito, quase que diria, de “bola de neve”, numa analogia àquilo que é o nosso território. Porque, mesmo fora deste contexto, a experiência que podemos retirar desta participação em rede é um valor acrescentado. É uma rede que tem uma experiência muito grande deste tipo de trabalho – refiro-me em concreto a dois municípios, como é o caso de Óbidos e Guimarães – em torno de cujos trabalhos podemos tirar uma aprendizagem significativa.
O sector turístico é uma aposta deste executivo?
Nós não vemos o Turismo como uma “galinha dos ovos de ouro”, ou seja, que seja a panaceia e que nos resolva todos os problemas com os quais nos debatemos. Mas é uma aposta do executivo, entre outras. Ainda recentemente tivemos um Congresso patrocinado pela própria Câmara Municipal, que foi um evento de sucesso de quase dois dias, onde se discutiu o Turismo na Serra da Estrela com uma incidência no concelho de Seia e dentro de uma relação de potencialidades e sinergias, no contexto da discussão desta temática. No fim do Congresso nós tivemos também oportunidade de apresentar aquilo que é o Plano Estratégico de Seia 2020. É um plano a dez anos, que traça aquilo que se deseja, numa visão de desenvolvimento estratégico para o concelho de Seia, num espaço temporal de médio e longo prazo. Mas há outros projectos de cooperação com os concelhos vizinhos, como a primeira Feira do Queijo conjunta, no próximo mês de Março de 2011 (Carnaval), entre os municípios de Seia, Gouveia e Fornos de Algodres. Vamos realizar em Seia, pois foi isso que resultou do sorteio que nós entretanto praticámos entre os três. Em 2012 será em Gouveia e em 2013 em Fornos de Algodres. É uma iniciativa conjunta que parece que tem pouca importância, mas este é um primeiro passo para outros eventos conjuntos que possam acontecer num futuro que é já hoje.
Em termos culturais o município está bem equipado? Esta área é importante para a autarquia?
Em termos culturais, nós a par da Guarda – com as diferenças de grandezas dos dois municípios, mesmo assim – nós, do ponto de vista cultural e em termos de agenda cultural, não temos qualquer receio de a promover. Exactamente porque temos uma produção cultural ao longo de todo ano equilibrada e bastante auspiciosa para um município localizado no interior.  A Casa Municipal da Cultura tem como principal incumbência desenvolver esse tipo de actividades. E há outros equipamentos públicos e privados, como o Museu do Brinquedo e os Museus etnográficos da nossa zona de influência, como o Museu do Rancho Folclórico de Seia e de S. Romão. Tal como o Museu de Electricidade, que a curto prazo estará em definitivo concluído. E depois com outras iniciativas, como é o Museu do Pão, com um número de visitas de cerca de 120 mil por ano. Neste momento está patente uma exposição muito curiosa de bustos de 18 presidentes feitos em pão, que estará patente até Agosto de 2011. 
O que é que Seia pode oferecer a quem visita a região, que lhe permita distinguir-se?
Seia pode oferecer muita coisa… Em primeiro lugar pode oferecer aquilo que é o espaço natural da Serra da Estrela. É que a Serra da Estrela tem uma potencialidade enorme para ser “vendida” durante os 12 meses do ano. Ou seja, aquilo que era a forma como a Serra da Estrela era “vendida” até aqui, num Turismo de Inverno com a questão da neve, é algo que não pode continuar acontecer, por diversas razões! Porque aquela questão que tornava de uma forma fácil a “venda” da Serra da Estrela por este motivo, hoje é muito mais difícil de acontecer. Em primeiro lugar, por causa da questão das alterações das condições climatéricas, que deixa territórios como o nosso muitas vezes dependentes sob o ponto de vista turístico de um produto que muitas das vezes deixa de acontecer naquele espaço temporal a que estávamos habituados. Por outro lado, a questão dos “low-costs” fez com que as pessoas sejam colocadas hoje em destinos muito próximos de nós e por valores muito concorrenciais com aquele que praticamos. E isto levou à criação de um conjunto de infra-estruturas, que levaram a desviar aqueles que eram os nossos potenciais visitantes, por razões diferenciadas. Mas a Serra tem outras potencialidades. Há cerca de dois anos assisti à apresentação de um pequeno roteiro que pretendia vender a Serra em todos os meses do ano, de uma forma muito interessante: tentando dar-nos uma ideia verdadeira de que a Serra se for visitada em cada uma das estações do ano, durante os 12 meses no ano, nós se calhar conhecemos “quatro Serras da Estrela”, porque ela nos vai aparecer com tonalidades diferentes, com cores e com uma beleza intrínseca. Depois há um conjunto de infra-estruturas e equipamentos que têm uma atractividade muito própria. Nós temos a “jóia da coroa”, temos o Centro de Interpretação da Serra da Estrela, que tem uma enormidade de actividades, que conjugadas com aquilo que é o laboratório natural da Serra, podem fazer aqui coisas muito engraçadas, quer em termos do turista que é indiferenciado, que pode ser um defensor ou praticante do turismo de natureza, ou mesmo aquele que é um apologista das novas modalidades como é a questão do turismo científico. Depois temos uma rede de museus, que começa a ser construída, como já referi anteriormente. Tudo isto pode proporcionar a possibilidade junto daqueles que nos visitam de criar um conjunto de roteiros diferenciados, que lhes permite estar numa mesma zona durante um espaço temporal sem que se tornem repetitivos. 
Qual a “prenda” que gostaria de receber para a autarquia?
Neste momento a prenda que mais gostaria de receber em termos do município…. Desde 2008 houve um conjunto de complicações que levou a uma crise económica e financeira que grassou por todo o lado e à qual nós também não ficámos indiferentes. Isto, numa visão macroeconómica, mas que quer queiramos ou não, o global também se passa em termos do local. E isto levou a que, para além dos problemas que encontramos, o problema de algum desequilíbrio sobre o ponto de vista económico e financeiro seja o principal. Não gostaria que saísse o Totoloto ou o Euromilhões ao município, até porque o município não joga! E por isso uma das medidas que tomámos foi ter a coragem de pegar nas contas, fazer um juízo relativamente a elas, projectar o futuro do município no contexto daquilo que era a nossa realidade económico-financeira e tentarmos partir, num primeiro momento, para um saneamento financeiro do município. E chegámos à conclusão que o saneamento financeiro não resolvia o problema do município. Numa segunda fase partimos para um plano de reequilíbrio financeiro do município, que neste momento está em apreciação nas diversas entidades por onde tem de passar e por isso, a prenda que eu gostaria de receber para o município, era que ele fosse premiado na passagem por estas entidades.