Quais são os principais problemas com que se debate o concelho de Trancoso?
Os principais problemas com que nos debatemos estão relacionados com a necessidade de introduzir mais competitividade ao desenvolvimento do nosso concelho. Trancoso tem tido um conjunto de infra-estruturas que têm introduzido dinâmicas no território – tal como os indicadores demonstram –, que são no fundo aquilo que nos permite monitorizar o impacto da gestão, e temos indicadores que nos têm animado. Nos últimos Censos de 2001 o concelho de Trancoso teve o terceiro melhor resultado demográfico do distrito. Nas Estatísticas do INE os indicadores para 2008 e 2009 dizem-nos que temos a segunda maior taxa de crescimento natural e crescimento efectivo a seguir ao concelho da Guarda. Embora esses mesmos indicadores traduzam que mesmo a taxa de crescimento da Guarda é negativa, tal como em Trancoso. De qualquer das formas, é um resultado satisfatório para um concelho que não era servido por nenhum Itinerário Principal (IP) e só a partir do final deste ano passará a ser servida por um IP. Sem dúvida que são indicadores que transmitem uma ideia de que temos procurado introduzir dinâmicas que asseguram competitividade e, por isso, permitem alguma resistência à fuga das pessoas. Portanto, introduzem alguma continuidade na presença das pessoas em Trancoso. Por isso também a nossa taxa de desemprego tem sido relativamente baixa, o que também é um bom indicador. E temos também bons indicadores em relação às empresas que estão aqui em Trancoso. Ora, estes indicadores de desenvolvimento são a melhor a prova de que o programa estratégico para Trancoso e os investimentos que concretiza têm gerado os efeitos pretendidos, no sentido de introduzir dinâmicas de competitividade e de crescimento que permitem assegurar alguma sustentabilidade do ponto de vista demográfico.
Acredita que o novo Itinerário Principal será um impulso para o crescimento do concelho?
Sim, acredito. E acredito pelo seguinte: nós temos em Trancoso uma estratégia de desenvolvimento para 10 anos, ao que chamamos de “Trancoso 2020”, que nos permite traçar uma estratégia de desenvolvimento para os próximos 10 anos e que assume que a cidade e o concelho de Trancoso são uma cidade e concelho de comércio, serviços e turismo. A massa crítica, o conjunto de pessoas que aqui vivem já hoje maioritariamente trabalham na área de serviços. Logo, trazer gente a Trancoso significa animar o tecido económico local. Porque trazer gente introduz dinâmicas de crescimento não só no comércio, mas também no turismo e, naturalmente, também dá mais movimento aos serviços. Por isso, este IP que vai permitir ligar Trancoso em auto-estrada a todo o país e a Europa irá certamente tornar o concelho mais atractivo, mais centrado do ponto de vista rodoviário e por isso recentrar geograficamente o nosso concelho. E com isso trazer mais gente, mais actividades e mais desenvolvimento. Acredito muito nisso e por isso é que valorizamos esta via, que no final deste ano, em meados de Novembro, deverá estar já aberta, pelo menos o troço de ligação de Trancoso até à A25. E este será mais um passo de sustentabilidade e de competitividade à nossa economia local.
Trancoso já foi uma das mais importantes vilas medievais e ainda consegue manter essa tradição?
Nos séculos XIII, XIV e XV Trancoso já foi uma das mais importantes vilas medievais. O certo é como aconteceu em todo o Interior, o movimento migratório das pessoas para o Litoral, a partir do século XV, começou a esvaziar o Interior. E apesar disso, Trancoso tem continuado a ter uma importância significativa no contexto do Interior. Não só porque localizamos aqui algumas estruturas de nível sub-regional, como também continuamos a ter das mais importantes feiras e mercados. O que significa que continuamos a ter uma posição interessante, apesar de estarmos no Interior do país…
O turismo é um vector fundamental para o desenvolvimento de Trancoso. Que projectos desta área estão em curso e que outros pode levar a cabo?
Nós temos ainda algum défice de oferta, sobretudo museológica, para podermos considerar que temos um concelho atractivo do ponto de vista turístico. Neste momento já está visitável o Castelo, depois de concluídas as obras de reabilitação e dinamização. Temos também adjudicado o Museu Judaico, que é uma peça de arquitectura muito interessante, do arquitecto Gonçalo Byrne, que constituirá também uma âncora do ponto de vista turístico. Uma vez que o turismo de influência judaica tem, efectivamente, muita importância dentro daquilo que são as dinâmicas do turismo local. E depois deve arrancar entre este ano e o próximo ano a reabilitação de toda uma zona dentro do núcleo histórico para onde será localizado o Museu da Cidade, recuperando um antigo palacete, e também o Centro de Interpretação da Batalha de Trancoso, bem como um Centro de Artes. A partir da conclusão deste “puzzle”, com estas quatro obras, consideraremos que Trancoso tem construídos todos os seus núcleos museológicos que tornarão Trancoso um concelho atractivo para o turismo.
O que distingue o concelho de Trancoso dos restantes municípios da região?
O concelho tem, não só um centro histórico notável, muito bem conservado, com muitos monumentos nacionais perto do centro histórico, como o Castelo, as Muralhas, o Pelourinho, a Casa que foi Quartel-general de Beresford, as sepulturas antropomórficas, ou seja, no total temos cinco monumentos nacionais. É ainda um centro histórico muito notável! Mas o que nos distingue ainda mais é o comércio e, sobretudo, uma dinâmica muito própria do nosso tecido empresarial, bem como um conjunto de jovens que aqui se encontram. É um concelho ainda com bastantes jovens. E creio que estas três “notas” conseguem distinguir o concelho de Trancoso dos outros.
Qual a “prenda” que gostaria de receber para a autarquia?
Nós temos sido bafejados por alguma sorte nesse aspecto. Tivemos uma grande prenda agora com a auto-estrada, temos tido um conjunto de investimentos comparticipados no âmbito dos fundos comunitários… Creio que a melhor prenda seria algum investimento do ponto de vista industrial que fizesse a diferença ou mais investimento na área das energias renováveis, uma vez que temos já um projecto muito significativo em funcionamento. Mas aquilo que o concelho precisava depois disto tudo era de mais competitividade. De todo o modo, penso que com todos os passos que estamos a dar, Trancoso ficará até finais de 2011 um concelho competitivo capaz de assegurar a sua sustentabilidade e com níveis de competitividade muito razoáveis.