Habitantes da aldeia de Guilhafonso, na Guarda, mostraram-se hoje preocupados com o envelhecimento do castanheiro gigante da zona, considerado o maior da Europa, e pediram a intervenção das entidades competentes, sob pena de a árvore centenária poder «secar». O gigantesco castanheiro, que está classificado como árvore de "interesse público" desde 1971, é propriedade da Câmara Municipal da Guarda, que o adquiriu há cerca de uma década, juntamente com o terreno, com o objetivo de assegurar a sua preservação. Trata-se de um espécime de 9,60 metros de perímetro de tronco, 19 metros de altura, diâmetro médio da copa de 25,5 metros e uma idade estimada em mais de 400 anos. Situado próximo da estrada que liga as cidades da Guarda e de Pinhel, o enorme castanheiro impressiona pelo seu porte. Os residentes asseguram que são precisas nove pessoas para abraçarem o seu tronco. Helena Monteiro, que também faz parte da Assembleia de Freguesia de Pêra do Moço, contou que nem a junta nem a câmara podem atuar por se tratar de um exemplar classificado de "interesse público", que está sob alçada da Autoridade Florestal Nacional (AFN). A moradora adiantou que na próxima reunião do órgão autárquico de que faz parte irá propor que a junta de freguesia solicite uma «intervenção urgente» junto da AFN. No ano passado, a título particular, informou aquela entidade do problema, avisando que o castanheiro «deveria ser observado por técnicos especializados que possam definir a melhor forma de fazer um tratamento que possa manter a sua vitalidade», contou. Se nada for feito, Helena Monteiro teme que dentro de alguns anos o castanheiro definhe e «deixe de ser o ex-líbris da região». Outra habitante, Celeste Pereira, referiu que o imponente exemplar se apresenta «muito seco» e disse temer que possa acabar por morrer. «Está muito estragado e tenho pena que ele possa ir abaixo», afirmou, lembrando que o castanheiro apresenta vários ramos mortos e está danificdo devido a um raio que atingiu a sua copa. Confrontado com a situação, o vereador da Câmara da Guarda com o pelouro das Zonas Verdes, Gonçalo Amaral, assegurou que a autarquia irá atuar com o objetivo de manter a árvore «viva». «Não vamos poupar esforços para tentar manter esta árvore viva ainda mais algumas centenas de anos», disse. O autarca prometeu fazer «todos os esforços possíveis para que a árvore se mantenha com o máximo de saúde», contactando a AFN e técnicos do setor para «uma avaliação» e aplicação de medidas de preservação.