Um rosto e a memória da rádio e do jornalismo da Guarda 

 

Emílio Aragonez, uma figura com profundas ligações à Rádio Altitude.

Emílio Aragonez, uma figura com profundas ligações à Rádio Altitude, nasceu em 1934, em Portalegre. Para a Guarda veio com cinco anos. Posteriormente, face às contingências resultantes da actividade profissional do pai, foi viver para Cascais, Pinhel, Peniche e Seia, após o que ocorreu o regresso definitivo à Guarda. Com onze anos começou a trabalhar na Ourivesaria Correia, na Guarda. «Fui para lá ganhar 80 escudos por mês e passados dois meses fui aumentado para cem». As aulas, no liceu, ficaram para trás, pois os horários não eram compatíveis com o trabalho; o estudo circunscreveu-se ao período da noite. Emílio Aragonez frequentou o Colégio de S. José, a Escola Comercial e Industrial e a Escola dos Gaiatos, nesta cidade. Aos dezoito anos abriu o seu primeiro estabelecimento comercial, na Rua 31 de Janeiro. «O meu pai pediu, para esse efeito, dez contos e teve por fiador Manuel Conde» recorda Aragonez. Três anos depois mudou-se para a Rua do Campo, instalando-se no antigo espaço da Espingardaria Sport, que pertencera a um antigo chefe da polícia; iniciava-se um ciclo de actividades na área da relojoaria e óptica; contudo, circunstâncias diversas contribuíram, muitos anos depois, para o abandono da vida comercial e empresarial. Ficou, deste modo, aberto o caminho para uma dedicação total ao jornalismo e à rádio. Desde os dezanove anos que mantinha, aliás, uma permanente paixão pela Rádio Altitude, onde começou a colaborar no início da década de cinquenta. «Foi aberto concurso para pessoas externas ao Sanatório, concorri e fui admitido. Para mim era um desafio. Trabalhava durante o dia e à noite ia para a Rádio, a apresentar discos pedidos, que eram imensos. Contudo isto representava o início da concretização de um sonho, de estar ligado à rádio e à informação». Nos primórdios da sua actividade radiofónica teve por companheiros alguns dos internados no Sanatório Sousa Martins. «Havia, naturalmente, muito receio deste contacto com os doentes», temor a que não escapava a própria cidade. Os tuberculosos eram cuidadosamente evitados pela generalidade da população da cidade, onde, então, se via muita pobreza. «Recordo-me de haver largas dezenas de pessoas que se dirigiam ao Lactário para obterem o leite destinado à alimentação dos filhos; iam buscar a sopa à Cozinha Económica, na altura a funcionar noutras instalações. Aos dias de mercado, sobretudo, apareciam muitos rapazes e raparigas descalços e isso já diz muito sobre a realidade social». Nessa época, as emissões da Rádio Altitude eram à noite, tendo depois passado a existir um espaço na hora do almoço. «Comecei também a fazer algumas das emissões desse horário mas o trabalho mais alargado era aos fins-de-semana, dado que alguns doentes faltavam; havia um que tinha um programa desportivo, outro era responsável por um programa vocacionado para as questões culturais e um outro realizava o “Vento do Norte”, que foi um programa muito polémico». Predominavam os programas de discos pedidos, os quais registavam uma permanente avalanche de solicitações, cujo atendimento se ia prolongando por semanas sucessivas. «Eram tantos os pedidos e o espaço tão reduzido que era colocado um disco num dia e outros em programas posteriores. Por vezes, para se ouvirem quatro dedicatórias tinha de se esperar um mês», lembra Emílio Aragonez, mais tarde rendido ao fascínio das reportagens. Mais em www.asbeiras.pt.





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