A verdade é que começarmos a envelhecer logo no momento em que somos concebidos mas é apenas, felizmente, a partir de uma certa idade que progressivamente começamos a sentir as funções do nosso organismo a deteriorarem-se. As doenças aparecerem, e eis que chega o momento de modificar a sua alimentação devido às alterações associadas à má dentição, à perda do apetite, à diminuição de olfacto e gosto, já para não falar na perda da capacidade física e da autonomia para adquirir alimentos e preparar refeições. Assim, se está nesta fase da vida, deverá escolher pratos apelativos, que proporcionem contrastes de cor, textura e sabor, recorrendo à utilização de ervas aromáticas e especiarias para compensar o paladar diminuído. Poderá, sempre que necessário, moer, passar ou triturar os alimentos, de forma a facilitar a mastigação. Se tiver dificuldades motoras, poderá cortar os alimentos em pequenos pedaços e usar a colher para se alimentar. Tenha sempre em casa alimentos fáceis de preparar e não se esqueça: mantenha-se fisicamente activo, faça uma caminhada antes de comer, para estimular o apetite! Estabeleça horários regulares para as refeições e escolha locais calmos e aprazível, e faça as suas refeições na companhia de amigos ou familiares. Sempre que possível, partilhe a responsabilidade de cozinhar, por exemplo, com um vizinho. Sempre que tiver dificuldade em sair para fazer compras, não se acanhe, solicite ajuda!
As regras gerais de uma dieta saudável servem para todas as idades, e a variedade é uma regra que nunca poderemos esquecer. Quando temos uma alimentação monótona estamos mais susceptíveis a desenvolver e a manifestar carências nutricionais e, no idoso, esta possibilidade é ainda maior, já que as suas condições de absorção e metabolização de nutrientes estão debilitadas. E não se esqueça de beber muita água, ou outros líquidos, pois erradamente, muitas pessoas idosas não bebem os 6 a 8 copos recomendados por dia, quer porque geralmente sentem menos sede, quer porque reduzem a ingestão de líquidos devido à incontinência urinária
E uma vez que, nesta fase da vida, é frequente surgirem diversas doenças, designadamente diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias, patologias renais ou hepáticas, que exigem dietas terapêuticas específicas, poderá sempre contar com o seu Nutricionista, que lhe fará uma prescrição nutricional terapêutica personalizada!
Clara Matos
Nutricionista da Associação Portuguesa dos Nutricionistas