Hoje apostamos na comunicação imediata, na resposta sem diferimento no tempo. Parecem longínquos os tempos em que se esperava ansiosamente a desejada carta ou a notícia que desejaríamos nunca receber e, no entanto, têm chegado às mãos de mais milhares de trabalhadores a decisão de encerramento, lay-off, despedimento colectivo e mais um sem número de situações que levam mais de 7500 trabalhadores do distrito da Guarda ao desemprego.
Gente com muitos anos de trabalho e de privações, que se sujeitou a humilhações e cedeu a chantagens, que aceitou horários de trabalho que lhes amputavam a vida familiar, o tempo de descanso e de lazer. Agora os arautos do poder vêm dizer que se a Auto Europa for embora será da responsabilidade dos trabalhadores que mostraram verticalidade na defesa dos seus direitos. Se os esses senhores tanto defendem a flexibilidade, a mobilidade e um infinito conjunto de soluções para a precariedade, porque não os aplicam a si próprios?
Para esses trabalhadores e trabalhadoras, que tinham uma esperança de prescindindo de alguns direitos fosse uma medida que permitisse à empresa encontrar soluções que lhes garantissem o emprego. Nunca esquecerei a luta dos trabalhadores da Gartêxtil, ainda mais, quando o meu camarada que já partiu infelizmente, O Costa dizia temos que fazer tudo para que os trabalhadores não possam soçobrar perante os faltosos, a começar no governo que não impõe uma efectiva fiscalização aos dinheiros públicos aplicados, a inércia dos deputados do PS e PSD e o poder local que multiplicou-se em promessas e nada.
Volvidos uns anos, um privado compra o espaço onde funcionou a Gartêxtil, pesquisem ao longo dos anos e vejam os interesses implícitos na aquisição de espaços similares e sua localização. Temos que estar atentos às futuras alterações do PSD, mais ainda com escândalo de andar há dois mandatos e nada.
Pois bem , a CDU apresentou na AMG da Guarda uma moção para que todo o espaço industrial no âmbito do PDM não fosse alterado para outro uso, principalmente imobiliário. Sabem qual foi a votação do PS e PSD, votaram contra, os argumentadores alegaram que não podíamos castrar o desenvolvimento do concelho. Gostaria de saber se porventura o esteio do desenvolvimento de um concelho e uma região não seja o seu tecido produtivo.
Perdi uma oportunidade de brincar com a dança em volta dos escândalos do BPN, do CTT e do jogo de espelhos entre os partidos do bloco central. Mas perante a chaga social do desemprego e encerramento de empresas que afecta tantas famílias no distrito da Guarda, não fazia sentido não tentar dar voz a cada uma delas e deixar a mensagem que o caminho não é o baixar dos braços ou aceitar as inevitabilidades que a lógica dominante impõe. O caminho é a luta. Porque, como disse alguém, quando se luta nem sempre se ganha, quando não se luta perde-se sempre.
Honorato Robalo Dirigente da Direcção da Organização Regional da Guarda do PCP *tÍtulo da responsabilidade da Guarda Digital