Retenho da cerimónia do anúncio do candidato do meu partido – Crespo de Carvalho – a ideia que o desafio das autárquicas no nosso concelho – sede de distrito – é entre a esperança e a desilusão, entre a oportunidade da mudança, do vigor da alternância democrática ou da continuidade cada vez mais claustrofóbica e de desesperança contínua dos cidadãos da Guarda no seu futuro / presente colectivo.
Não é só aos militantes e simpatizantes do PSD que mais interessa a mudança no governo da cidade. É seguramente a toda a população que fica agora com uma excelente opção de voto e com motivos bastantes para em consciência poder decidir se realmente acredita e quer outra forma de governo no nosso município.
São já mais de 30 anos de governo autárquico monocolor e haveria obrigação de percebermos que rota, que trajectória nos tem tentado mostrar e executar para o desenvolvimento gradual e sustentado do nosso concelho.
A situação até se agravou neste último mandato onde um certo desnorte estratégico se apossou dos detentores dos lugares de decisão política. Fomos já cidade da saúde, cidade do desporto, da cultura e outros tantos epítetos, mas objectivamente os cidadãos que aguardam poder conhecer e dizer qual a linha principal de desenvolvimento não a conhecem neste momento.
É óbvio que aquela afirmação última carece ser sustentada com outras realidades próximas da Guarda. E nem nos precisamos de reportar às sedes de outros distritos, basta-nos o próprio distrito e aferimos ou percebemos qual é a linha matriz identificadora do desenvolvimento de alguns dos concelhos limítrofes.
Afirmar publicamente e até sob compromisso de honra que a Guarda deve apostar neste ou naquele sector, caminhar por um outro epíteto aludido e na prática não verificarmos uma articulação e uma intervenção coerente nesses mesmos sectores para além até de não observarmos uma “doutrina” substantiva sobre a matéria revela o vazio e um navegar à vista que não abona, desde logo, a capacidade de influenciar decisões ao nível onde verdadeiramente se decide e se “inclinam” as orientações económico – financeiras.
A candidatura do PSD desenvolverá todos os esforços para confrontar os guardenses com um efectivo modelo de governação diferenciado do município, mas porventura tão ou mais importante ainda com uma proposta de modelo de desenvolvimento que mereça, no mínimo, o crédito e o apoio necessário que viabilize uma alteração efectiva da governação municipal na Guarda.
O PSD apostou e convidou um cidadão independente e fê-lo na lógica do que atrás fica transcrito. Apostou-se não só na capacidade e conhecimento técnico já provado, mas também na capacidade de persuasão politica necessária às e nas nossas terras, como se apostou num cidadão que escolheu a Guarda para sua cidade depois de ter feito o percurso profissional e empresarial fora e, regressado, volta a apostar novamente em fazer ressurgir uma empresa e manter uma outra.
Em política como na vida podem afirmar-se apostas arriscadas mas acima de tudo importa perceber o percurso, as razões, que conduzem às decisões sob uma matéria, no caso, que joga com o nosso futuro colectivo.
Fez-se a aposta num cidadão que se tem revelado um verdadeiro interesse na vida da urbe, um cidadão que faz intervenção cívica e associativa alguém que revelou vontade incondicional em subscrever de imediato o convite do PSD e os partidos políticos mesmo os do arco do poder têm muito a ganhar quando conseguem a boa colaboração de cidadãos independentes.
Prezo muito a minha militância partidária, gosto de dizer que milito num partido político. Desgosta-me o discurso fácil dos que anotam os malefícios de uma estrutura partidária que mais não é do que um reflexo da dinâmica social em que vivemos.
Olhe-se em redor e percebe-se que muitos dos defeitos apontados asperamente – até por aqueles que grandes responsabilidades tiveram – às militâncias partidárias acontecem igualmente noutros sectores da sociedade. Não é a desculpa e aos partidos deve exigir-se mais – mas se se perceber na dinâmica política e social do pós – 25 de Abril compreender-se-á que esses “pecadilhos” vão sendo ultrapassados.
O desprestigiar totalmente a actividade militante e não se verificar um acrescento efectivo e forte da sociedade civil não robustece seguramente o modelo e arquitectura do sistema político em que vivemos.
Não qualificaria pois arriscada a aposta política num cidadão independente, antes optaria por a classificar um desafio que internamente se fez para que externamente e junto da cidade, dos seus habitantes, se compreenda que não vivemos numa ilha, ou melhor, num arquipélago. E, por isso a grande interpelação reside em se preocupar criar pontes e vasos comunicantes que não drenem numa só direcção, mas que a interacção seja a grande aposta e o modelo que se possa seguir no governo municipal.
Fica também agora o desafio a todos os cidadãos do concelho que queiram auxiliar a construir boas oportunidades.
João Prata
Presidente da Concelhia da Guarda do PSD